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Como o trânsito e outras ações humanas impactam a atmosfera urbana e a qualidade do ar?
A qualidade do ar nas cidades é diretamente influenciada pelas atividades humanas, especialmente em centros urbanos com tráfego intenso de veículos. As chamadas fontes antropogênicas, aquelas que acontecem por ação humana, são as principais responsáveis pela emissão de poluentes atmosféricos, com destaque para os automóveis, que liberam substâncias como monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos. Esses compostos afetam tanto o meio ambiente quanto a saúde da população, podendo provocar desde irritações respiratórias até quadros mais graves.
De acordo com o técnico da Coordenadoria de Medições Ambientais (CMA) da Sudema Rhafael Cainã, o material particulado atmosférico é um dos principais indicadores da qualidade do ar. “As partículas finas, especialmente aquelas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros (unidade de medida de comprimento que corresponde a um milésimo de milímetro), são as mais preocupantes, pois conseguem penetrar profundamente nos pulmões e estão associadas ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares”, explica. Ele destaca ainda que a queima de combustíveis e de biomassa são fontes relevantes desse tipo de poluente, comuns em áreas urbanas e periurbanas.
Para acompanhar esses parâmetros, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) vem estruturando, desde 2021, uma rede de monitoramento da qualidade do ar na Paraíba, com foco na medição de material particulado, em especial do tipo MP₁₀ (partículas de até 10 micrômetros) e MP₂,₅ (partículas de até 2,5 micrômetros). A iniciativa utiliza sensores certificados e equipamentos indicativos, permitindo análises em diferentes escalas, desde bairros até áreas metropolitanas. O monitoramento segue diretrizes estabelecidas pela Resolução CONAMA nº 506/2024, que define limites para diversos poluentes atmosféricos.
Um experimento recente realizado pela autarquia no Jardim Botânico Benjamin Maranhão, em João Pessoa, demonstrou na prática a importância das áreas verdes para a melhoria da qualidade do ar. Ao comparar medições próximas a vias com grande fluxo de veículos com dados coletados em área interna do parque, foi observada uma redução significativa na concentração de material particulado. O resultado reforça o papel da vegetação como filtro natural de poluentes e evidencia a necessidade de preservação ambiental nas cidades.
Saiba mais sobre esse estudo: https://sudema.pb.gov.br/noticias/trabalho-de-monitoramento-da-sudema-evidencia-papel-das-arvores-na-reducao-de-poluentes-no-ar